10 pessoas inspiradoras e seus projetos incríveis

2014 foi um ano intenso. Teve Copa, protesto, goleada histórica, eleições acirradas, escândalos e brigas que começaram nas redes sociais e terminaram nos almoços de família ou até em protestos na rua que pediam a #voltadaditadura. Foi também o ano em que desenvolvemos nossa pesquisa sobre a felicidade que compartilhamos com vocês aqui no Glück. Pesquisamos, entrevistamos, viajamos e procuramos viver uma vida mais plena. E agora, José? Voltamos para o Brasil e como fazer para se readaptar à velha rotina? Parece que “o passado é uma roupa velha que não nos serve mais”. Só que isso é um assunto que deixaremos para mais tarde. Começo de ano é época de retrospectiva, sonhos e metas. Por isso, prepararamos alguns textos para compartilhar com vocês parte de nosso aprendizado ao logo deste ano. (E se pudéssemos resumir 2014 numa palavra, poderíamos dizer que foi isso, uma ano de “aprendizado”). Para começar, vamos ao nosso Prêmio Glück Gente Boa ou simplesmente a lista de pessoas que nos inspiraram em 2014 e que vocês deveriam ficar de olho em 2015. Quem sabe elas não te inspiram a fazer coisas tão legais que te coloquem na nossa listinha do ano que vem?

Juliana de Faria – Think Olga
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Tem coisas que estão erradas, mas já são hábito. Não podemos fazer nada para mudá-las, devemos nos acostumar, certo?” Errado! Juliana de Faria é a jornalista responsável por criar o Think Olga, um think tank que pariu a campanha Chega de Fiu-Fiu (contra o assédio sexual nas ruas), o projeto 100 vezes Cláudia (homenagem à mãe de família assassinada pela polícia em uma favela no Rio) e o Entreviste uma mulher, entre tantos outros. Com o Olga, Juliana luta pelos direitos das mulheres, mesmo que o mundo diga que “as coisas estão boas do jeito que estão”. Não há injustiça contra a qual não valha a pena lutar, né?

Natalia Viana e a Agência Pública
Natália Viana da Agência Pública
Dá para produzir conteúdo de qualidade fora das grandes empresas? As coisas mais legais que vimos no jornalismo nos últimos dois anos têm saído de grupos independentes. Seja a cobertura dos protestos feita de celular na mão pelo o pessoal do Mídia Ninja, seja as “bolsas-reportagens” da  Agência Pública que geraram lindos documentários como este sobre o impacto da Bolsa Família no nordeste. Super premiada, a Pública é um projeto independente e sem fins lucrativos que tem procurado renovar os temas e formas de fazer jornalismo. Outro destaque de sua cobertura este ano foi o projeto Truco em que eles checavam as promessas e afirmações feitas pelos candidatos à presidente no horário político eleitoral.

Professor Luiz Henrique Rosa – Qual é a graça?

Nós aqui no Glück acreditamos que a educação é ferramenta essencial para mudar pessoas e o mundo. O trabalho do professor Luiz Henrique Rosa ganhou destaque e cobertura na mídia em 2013, mas chegou nos nossos olhos só agora através de uma exposição no MAR – museu bem legal no Rio de Janeiro. Luiz dá aulas de biologia na Escola Municipal Hebert Moses e percebeu que seus alunos (a maioria afro-descendentes) costumava ter apelidos racista. Ele convocou os estudantes a listarem os xingamentos que usavam e transformou isso no projeto “Qual é a graça?”, materializado num mural exposto no quintal abandonado do colégio. O trabalho evoluiu para o estudo da revolta das Vassouras (rebelião de escravos cariocas pouco discutida) e um novo e colorido mural como nome dos escravos pertencentes à fazenda que começou a revolta. Com essas ações, o quintal da escola foi ganhando vida, árvores e cores e se tornou uma instalação e uma espaço de aprendizado “fora da caixinha”.

Natália Becattini, Rafael Sette Câmara e Luiza Antunes – 360 MeridianosLuiza Antunes, Natália Becattini e Rafael Sette Câmara: os autores do 360 meridianos
Quando começamos a pensar em pedir demissão e embarcar numa rolê pelo planeta, o site de viagem 360 merdianos foi uma das nossas inspirações iniciais. Os jovens que o criaram já tinham dado duas voltas pelo mundo e estavam trabalhando na Editora Abril, enquanto pensavam qual seria a próxima viagem. Com conteúdo de qualidade e textos inspiradores eles se tornaram nômades digitais, tirando seu sustento do projeto que criaram e trabalhando em diferentes cantos do nosso planeta. Quem aí não queria viver assim, sem pátria nem patrão, he, he, he? 😛

MalalaA jovem ativista paquistanesa MalalaPoucas histórias de superação e luta são tão fortes quanto a da menina paquistanesa Malala Yousafzai. Malala vivia em uma região do Paquistão dominada pelos radicais islâmicos do Talibã que queriam proibir as meninas de assistirem aulas. Seu pai, dono de uma escola, pediu ajuda para manter as alunas indo às aulas e Malala ganhou um blog na BBC para falar de seu cotidiano e seu amor pelos estudos. Ganhou alguns prêmios, recebeu projeção internacional e acabou sofrendo uma atentado dos fanáticos do Talibã que lhe deram um tiro na cara dentro de um ônibus. Entre a vida e a morte, Malala foi transferida para a Inglaterra para receber tratamento. Recuperou-se, continuou sua militância e acabou premiada com o Nobel da Paz, em 2014, com apenas 16 anos.

Alessandra Orofino – Meu Rio

O que você faz para mudar sua vida, sua cidade ou o mundo? Não vale dizer que você vota e espera que os políticos façam tudo por você. Pelo menos é o que acha Alessandra Orofino, criadora da rede Meu Rio, que está lutando para mudar nossas cidades em uma “revolução de participação”. Alessandra acredita que a mudança está em nossas mãos e que cidades melhores e que privilegiam espaços públicos de qualidade são a chave para uma vida mais feliz. Sua rede já conta com mais de 160 mil pessoas procurando melhorar a cidade em que vivem. E aí, o que você está fazendo para melhorar a sua?

Eduardo Lacerda – Editora Patuá

Em meio à casa de seus pais na Sapopemba, zona leste de São Paulo, funciona a editora Patuá – fundada por Eduardo Lacerda e Aline Rocha e hoje tocada somente pelo gaúcho que perdeu seu quarto para o estoque gigante de livros que o obrigam a dormir no sofá da sala. Eduardo lançou mais de 160 títulos pela sua editora (entre eles a estreia literária do Fred aqui do Glück) a maioria de poesia ou autores estreantes; aposta rara no mercado editorial brasileiro. Um desses livros – o excelente “Desnorteio”, de Paula Fábrio, – ganhou o prêmio São Paulo de Literatura. Muitos outros foram finalistas de prêmios como o Portugal Telecom e o Jabuti. Lacerda criou sua editora com R$ 5000 e diz que ela não é seu negócio, mas sua vida.

Pedro HMC – Põe na Roda

O roteirista Pedro HMC era roteirista do CQC, com passagens por humorísticos da Mtv, quando resolveu largar a carreira promissora na TV para investir em algo próprio, o canal de vídeos “Põe na roda”, que fundou com Felipe Abe e Nelson Sheep. Com quase 200 mil inscritos, o canal debate temas e causas do gays de maneira leve e bem humorada e emplacou o viral “Não é por ser gay” que a gente já postou aqui no Glück.

Nina Weingrill e Amanda Rahra – É Nóis
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O que você faz para tornar a vida do próximo mais feliz?

Foi em 2009, fazendo trabalho voluntário para uma ONG no Capão Redondo (Casa do Zezinho), que Nina Weingrill e Amanda Rahra começaram a gestar o que seria o projeto “É Nóis”. A coisa toda surgiu como uma oficina de jornalismo para os jovens da comunidade que deveriam (depois de quatro finais de semana) criar um fanzine. Anos depois a experiência gerou uma revista trimestral distribuída em mais de 11 escolas com a participação de mais de 100 jovens. Metade deles entrou numa universidade. Em 2014, a “É nóis” foi uma das quatro start ups brasileiras selecionadas pela “Idear Soluciones Para Mejorar Vidas”, promovido pelo BID. Elas também foram escolhidas para participar do programa Visão de Sucesso, iniciativa do BID e do Itaú, que oferece apoio a start ups que transformam a realidade das pessoas.

Maria Popova – Brain Pickings
Maria Popova, a criadora do sensacional Brain Pickings
Muita gente sonha em mudar de país, montar seu próprio negócio ou viver de arte. Aqui temos uma história de vida que preenche os três sonhos com méritos. Nascida na Bulgária, a principal influência de Maria Popova foi sua avó que tinha uma grande coleção de enciclopédias. Depois de se formar nos Estados Unidos, a escritora, blogueira e crítica criou o site independente Brain Pickings ao qual se dedica 450 horas por mês. Ela lê entre 12 e 15 livros por semana e os usa como temas de seus post diários. Seu site é seguido por diversas celebridades e intelectuais e se tornou um imenso museu virtual dedicado às artes e à literatura e sustentado por doações e assinaturas.
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