Vamos apostar nessa ideia radical de alegria?

Por Priscila Bellini

Que sorte a minha ter conhecido um rapaz palestino chamado Anas. A família dele foi expulsa da própria vila, Kakoon, e hoje vive no Qatar, um país minúsculo no Golfo. Por um acaso muito bem-vindo, encontrei o Anas nos Estados Unidos, e logo notei: em cinco minutos de conversa, ele é a pessoa capaz de te mostrar receitas bem simples de felicidade. Pra começar, o rapaz sempre está disposto a falar de um ideal de alegria pautado em ações simples. Ele sempre tem uma lista de indicações pra compartilhar, caso você queira saber da importância da alegria, especialmente se você quiser trazer isso para a sala de aula, para um projeto, para um trabalho qualquer. Basicamente, uma sala em que o Anas resolva fazer uma dinâmica acaba ficando assim:

Mas é tudo planejado, e muito bem defendido por ele. Uma ideia radical de alegria. Por isso, reuni três medidas simples que aprendi com o Anas nas vezes em que nos encontramos:

1)Não faça com que toda conversa seja sobre você

É fácil identificar como o Anas aplica isso diariamente, e como uma ação tão direta faz bem. Numa conversa no escritório, na segunda-feira, alguém conta que foi a um restaurante que você já conhece, a sua resposta pode determinar o rumo da conversa. E a dica é essa: em vez de dizer “ah, já estive nesse lugar” e compartilhar a sua experiência, faça pelo menos duas perguntas sobre o que aquela pessoa vivenciou e que mantenham o foco nela. Não, nem toda conversa tem que ser sobre você, e nem deve ser. Ouvir os outros nos ajuda muito.

2) Sempre esteja disposto a dizer algo positivo

Por mais que encaremos uma pessoa com bons olhos e saibamos de cor que ela tem vários pontos positivos, na maioria das vezes nós não externamos isso. Difícil de dizer o porquê, mas talvez seja por teimosia, ou receio de parecer bobo. Por isso, apesar de todo o receio de falar isso diretamente a alguém, fale. A sua colega fez colocações ótimas na reunião? Diga a ela. Seu colega está sempre animado e torna os ambientes mais leves? Compartilhe isso com ele. Às vezes, essa pessoa precisa muito ouvir isso, e está encarando um dia péssimo.

3) Ah, os óculos da gratidão

Confesso que, de início, achei o nome meio brega. A proposta do Anas, que faz isso em todas as dinâmicas que organiza, é bem direta: arrume uma desculpa para identificar o que há de bom ao seu redor. Pode ser um óculos colorido que você deixe na gaveta, e que  coloque quando quiser enxergar melhor esses pontos positivos (os tais “óculos da gratidão” são exatamente isso, e também podem ser feitos como na foto ali em cima), claro. Pode ser também um post it em cima da escrivaninha com esse lembrete.

Se você quer conhecer o trabalho do Anas em projetos com jovens e ler sempre algo positivo, pode segui-lo aqui. É quase impossível se render a um pensamento negativo quando ele está por perto, mesmo que virtualmente, eu garanto. Em 2016, eu espero ser um pouquinho mais como ele. 😉

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