Desenhos feitos pelas crianças sírias contam um pouco da história desses pequenos refugiados

Por Priscila Bellini

Em setembro, o mundo voltou seus olhos para o menino sírio que se afogou em uma travessia pelo Mediterrâneo. Pipocaram nas redes as fotos, montagens e desenhos de Aylan Kurdi, uma criança de 3 anos de idade que buscava refúgio com a família, ameaçada pelo conflito na Síria. O roteiro é o mesmo de outros tantas crianças sírias: fugindo da guerra e da ameaça do Estado Islâmico, os pais e irmãos de Aylan foram à Turquia, mas ainda buscavam uma vida melhor em outro canto do mundo. No caso dele, a travessia para a ilha de Kos, na Grécia, daria uma oportunidade provisória, até que os parentes tentassem acomodá-los no Canadá. Como o fim trágico dessa história foi parar nos jornais do mundo todo, finalmente alguém se lembrou das pessoas que, como Aylan, são refugiadas.

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Aylan não foi o único. Segundo a BBC, em apenas quatro dias, 23 crianças foram mortas na travessia — jovens de quem não sabemos nada, que viraram apenas um número. Por força do hábito, a gente até esquece que são pessoas. Quando o jornal anuncia mais quatro mil mortos, estamos falando de gente, e de suas histórias. Gente que tinha uma cor favorita, um apelido engraçado, que engatinhava e que acabara de dar os primeiros passos desajeitados (algumas nem tiveram a chance de fazer isso). Talvez, na época em que tiveram de abandonar suas casas, essas pessoas estivessem apaixonadas por alguém, ou pensando em ter o primeiro filho. Eu aposto que o Aylan, em algum momento da vida, teve um brinquedo preferido, que não queria largar jamais, e até levava consigo para a cama. Também imagino que os parentes de Aylan ficaram em festa quando ele falou a primeira palavra. Mas, assim como ele, milhares de crianças interromperam essa história e tiveram de procurar refúgio, por viverem em uma zona de conflito — e se perderam no caminho.

Mas este texto não é um texto sobre tragédia, mas sobre novas oportunidades às crianças. Separamos aqui no Glück os desenhos feitos pelos pequenos nas aulas de arte dadas pela organização Studio Syria, que atende jovens que foram parar no campo de refugiados de Al Zaatari, na Jordânia. Abaixo, você confere alguns dos desenhos reunidos pela Hurriyah zine.

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“Eu me lembro de ver muita gente machucada onde eu estava, na Síria. Quando eu vi essas pessoas, sentia a dor delas. Agora acho que quero ser enfermeira. Quando vou ter a chance de cuidar das feridas de quem está machucado?”

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No quadrinho, o jovem Ibrahim Mansour Al-Makdad fala sobre o campo. Na chegada, está com medo e logo tem de entregar os documentos às autoridades. Depois, conta que as casas parecem trailers e que as crianças gostam de jogar basquete.

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No quadrinho “A arte é excelente, apesar de todo o sofrimento”, o autor Muhammad mostra um pouco de sua relação com as artes. Ele desenha e mostra os resultados ao pai, que o leva a uma galeria de arte. Mas, como refugiado, a história muda: um soldado exige que ele largue suas coisas, as pessoas reclamam que as tendas estão cheias de seus desenhos.

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