Conheça o outro lado da história de moradores de rua

Por Priscila Bellini

Em uma esquina qualquer, um anúncio colado à parede conta os dois lados de uma mesma situação. Em um deles, o medo de uma pessoa em dormir no quarto ao lado de um morador de rua, já que “os riscos são enormes” e “eles podem ter problemas com drogas e violência”. No outro, o receio em trazer um jovem desabrigado para casa, uma vez que você pode ser “roubado, espancado ou coisa pior”. A surpresa, que faz parte de uma campanha da Publicis London para a ONG Depaul, é um pouco da trajetória de quem foi deixado de lado nessa história. Confira algumas das intervenções:

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“Você teria problemas para dormir à noite se um jovem sem teto estivesse no quarto ao lado. No fim das contas, você sabe que há muitos riscos e que se sentiria vulnerável. Eles podem ter envolvimento com drogas e violência, e isso não parece nada seguro.”

“Você não conseguiria dormir, sabendo que não fez nada enquanto um jovem desabrigado estava dormindo na rua. Você poderia oferecer seu quarto de hóspedes para eles. No fim das contas, seria apenas para uma noite ou duas. Você conhece os riscos que eles correm quando estão na rua e se sentiria ótimo por ajudar alguém tão vulnerável. Eles podem ter problemas com a própria família – e não com drogas e violência, como as pessoas pensam. A rua é um lugar difícil e que não parece nada seguro.”

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“Não há qualquer motivo no mundo que te fariam levar um morador de rua para casa. Porque, convenhamos, tudo pode acontecer. Você pode ser roubado, espancado ou coisa pior. Só de pensar nisso, você já se arrepia. Eles estão em uma situação péssima, mas não é problema seu.”

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“Não há nada no mundo que faria você dar as costas a alguém que passa por necessidades. Um jovem morador de rua, por exemplo. Você poderia levá-lo para casa porque, convenhamos, nas ruas acontece de tudo. Você poderia impedir que essa pessoa fosse roubada, espancada ou até pior — que ela fosse abusada. Lá fora, é frio e solitário, só de pensar nisso você se arrepia. Mas um lugar seguro já ajudaria muito. Não é problema seu, mas você pode fazer a diferença.”

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“Nem em um milhão de anos você pensaria em levar um morador de rua para a sua própria casa. Pessoas que oferecem o quarto de hóspedes devem precisar de algum treino especial. Depois de dormir na rua, essas crianças ficam perturbadas. Você já deve ter ouvido falar dos espancamentos e dos roubos. Um dia isso pode acontecer com você.”

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“Nem em um milhão de anos você deixaria alguém sofrer assim, e é por isso que consideraria levar um jovem desabrigado para casa. Claro, só até eles se recuperarem de vez. Várias pessoas cedem um quarto vago na casa e não precisam ter qualquer treinamento especial para isso — só um coração no lugar certo. Depois de dormir na rua, essas crianças vão adorar ter um quarto onde não serão perturbados por ninguém. Você já deve ter ouvido falar da vida nas ruas, com todas as ameaças, os espancamentos e os roubos. Isso pode acontecer com qualquer um. Sério mesmo. Um dia isso pode acontecer com você. É por isso que você até consideraria ser um voluntário.”

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