Ensaio sobre a cegueira social

por Fred Di Giacomo

Quando eu estava no ensino médio, minha escola organizou uma pequena excursão para “conhecer a realidade e pobreza do Brasil”. Iríamos sair na última aula para visitar uma família carente cuja mãe sozinha criava uma filha que tinha contraído HIV e um filho que agora estava preso. Iríamos entregar uma cesta básica para eles e conversar sobre a vida dura que levavam. A intenção das freiras que dirigiam nossa escola de classe média no interior do noroeste paulista era boa. Elas achavam que os meninos da elite penapolense precisavam valorizar suas vidas tranquilas e solidarizar-se com os que tinham nascido sem condições. Talvez a ideia fosse estreitar as pontes entre quem só convivia com pobres e negros quando estava com suas empregadas ou babás. Eu me sentia incomodado com a situação; apesar de entender a intenção didática da escola, aquilo também lembrava um passeio por algum tipo de zoológico humano. Algum tipo de espetáculo para se “assistir”, sem realmente enxergar as pessoas que estavam ali.

Deu o sinal da última aula e fomos todos com nossos uniformes vermelhos para uma Kombi lotada de boas intenções fundidas ao clima de uma alegre excursão para Porto Seguro. Rapidamente percebi que aquele caminho que a Kombi fazia não me era estranho. “Opa, pra onde estamos indo? Eu conheço esses vira-latas, essas casas de muro baixo, essas ruas esburacadas. Conheço essas tiazinhas sentadas na calçada, os pés calçando havaianas pedalando de volta pra casa, os moleques empinando pipa com cerol no bairro”.

Meu bairro.

Naquela hora percebi que a casa dos “pobres” era a casa dos meus vizinhos. Literalmente. Ficava a meio quarteirão de casa, na Vila São João. O cara que estava preso era amigo de um colega. Quando chegamos na pequena e humilde casa de muro de madeira, eu pulei da Kombi correndo, caminhei vinte passos e entrei em casa. Sentia um misto de vergonha, raiva e humilhação. Tinha vergonha tanto dos meus vizinhos acharem que eu era um playboy, quanto dos meus colegas de classe me verem como mais um “pobre” do bairro. Alguém pra ter pena ou fazer caridade. Eu não queria que as pessoas tivessem pena de mim. Queria ser olhado de igual pra igual, olho no olho.

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Esse foi um dos eventos mais simbólicos de uma vida passada entre dois mundos que no Brasil parecem pouco conversar: pobres e ricos. Filhos de médico e filhos de pedreiros. Loiros de sobrenome europeu e mulatos da Silva e de Jesus. Pessoas que que entravam ou não entravam na balada, que eram ou não sócios do “Clube Penapolense”.

Por acaso, eu pude conviver de perto com esses mundos, como um observador, nunca me sentindo 100% parte de nenhum dos dois. Morava num bairro humilde, cheio de bocas de fumo, terrenos baldios, carros velhos, bicicletas, pipas e carroceiros que passavam vendendo miúdo de boi. Atrás da minha confortável casa, tinha um cortiço e do lado ficava uma república de trabalhadores bóias-frias. No final de semana, ouviam alto um funk que gritava “Se dinheiro fosse bosta, pobre ia nascer sem cu”. Minha casa era a melhor do quarteirão e eu nunca “passei necessidade”. Meus pais tinham até diploma universitário, vejam só, uma raridade por ali. Fiz jardim e primário em escola pública. O resto cursei numa escola particular, como bolsista, por ser filho de professores. Estranhei a mudança de escola. Sofri no primeiro ano e passava o recreio sozinho, lendo livros e quadrinhos. Depois me adaptei. Não enxergava mais os filhos de médico e fazendeiros apenas como “playboys”, mas como colegas e amigos. É simbólico que meu melhor amigo antes fosse negro e agora era um branco, como eu. Com uns 15 anos, comecei a tocar em bandas de punk rock e voltei a ter contato com pessoas do meu bairro e de vilas ainda mais afastadas. Moleques fanfarrões, gente de movimentos sociais, meninas de grupos de jovem,  manos do hip hop, punks dos fanzines. Mas eu não ficava pensando neles como filhos de empregadas, filhos de serralheiros ou filhos de pedreiros. Pensava neles como a banda que ia tocar depois da gente num festivalzinho de fundo de quintal com som barato e meia dúzia de gatos pingados. Pensava neles como os caras que tomavam uma tubaína em saco plástico comigo, enquanto trocávamos ideia na calçada de casa. Conversávamos sobre mulheres, bandas, sonhos, festas. Conversávamos como qualquer adolescente. Só fui perceber que meu bairro era uma “vila” quando algum colega da escola particular comentou. Quando pequeno, aquilo não me parecia um bairro pobre. Era só “um bairro”. E aquelas pessoas não pareciam gente pobre. Pareciam só “gente”. E minha casa era linda: espaçosa, bem decorada, cheia de árvores e frutas. Frutas como as mangas que os moleques mais pobres vinham pedir na hora do almoço no portão de casa.

Depois entendi que as mangas que despencavam no nosso quintal eram o almoço deles.

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Aos 18 anos, eu entrei numa universidade pública (como tinha que ser). Fui um dos poucos daquela cena de bandas de vila a fazê-lo. É engraçado quando as pessoas falam que “se esforçando” todo mundo consegue o que sonha. No meu colégio particular, quem era bom aluno entrou em universidade pública direto. Quem era médio entrou em faculdade particular direto ou fez um ano de cursinho e passou na pública. Quem era muito preguiçoso e folgado, fez dois anos de cursinho (ou três) e também entrou em alguma universidade. Teve até gente que era pior aluno da classe o no final se formou médico em universidade caríssima. Quantas chances eles tiveram, né? No meu bairro a coisa era diferente, você tinha (no máximo) uma chance pra passar numa faculdade pública. Se não, ia trabalhar de qualquer coisa. Se com seu trabalho, você conseguisse dinheiro o suficiente, podia tentar entrar (e pagar) uma particular ali na região, fazendo bate-volta toda noite. Eu acredito, sim, que pessoas que se esforçam muito podem nascer na favela e terminar milionárias, mas não dá pra dizer que as chances são iguais para todos. Não estou só repetindo estatísticas, estou contando o que eu vi e vivi. Amigos pobres que liam Nietzsche e Augusto dos Anjos no ginásio ainda estão na minha cidade sem curso superior, enquanto os piores alunos da minha escola particular são engenheiros, médicos e advogados. Juro que o grande esforço deles, enquanto eu me matava de estudar, era jogar futebol, paquerar meninas no Clube e ficar inventando novos apelidos para a mãe alheia na sala de aula. Algumas mesadas era maiores que os salários do meu primeiro estágio.

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Lembra aquele clichê que dizia que vivíamos na Belíndia, a mistura maneira da Bélgica com a Índia? Ele não virou música do É o Tchan, mas ainda faz todo sentido. Mesmo com avanços nessa área, o Brasil segue como um dos países com pior distribuição de renda do mundo. De acordo com o índice GINI, somos a 13a. nação mais desigual do planeta. Numa lista com mais de 150 países, perdemos apenas para nações como Haiti, Angola, Colômbia e Honduras. Isso não significa que somos um país pobre. Nós somos a sétima maior economia do mundo, afinal de contas. Mas somos um país onde, ainda, muitos ganham pouco e poucos ganham muito. A nova e próspera classe média inclui famílias inteiras que vivem com ao menos R$2.300 por mês, enquanto um salário inicial de engenheiro elétrico está na casa dos R$ 4.068 e o de um médico gira em torno dos R$4.000. A nova classe média é um termo medido por seu potencial de consumo e não pela sua qualidade de vida. Para tentar se aproximar da elite e se tornar visível ao Brasil, canta-se e compra-se Lacoste e Red Bull, enquanto as pessoas mais ricas buscam opções “diferenciadas” que as blindem (às vezes literalmente) da pobreza.  Somos o país da área VIP em shows de rock n’ roll.

E quer coisa menos rock  n’ roll que área VIP?

Ilustração de Cecilia Silveira para o blog Think Olga

Ilustração de Cecilia Silveira para o blog Think Olga

Pobreza não significa automaticamente violência. Existem países pobres e pouco violentos e para provar essa tese você pode citar do Vietnã ao Marrocos na sua listinha – incluindo tanto nações de esquerda, quanto de direita entre os exemplos de lugares onde a maioria das pessoas é pobre, mas as taxas de homicídio não se comparam ao Brasil. Mas é difícil ter países com alto índice de desigualdade que sejam pacíficos. Países que têm gente extremamente miserável convivendo com milionários ao lado. Nesses países, as pessoas não se enxergam como iguais, existem os que “têm” e os “que não têm”. Se você é de classe média alta ou é rico, faça uma reflexão: quantas vezes você já teve uma conversa de igual para igual com um pobre? Não estou perguntando quantas vezes você “ensinou algo pra uma pessoa simples”, nem quantas vezes “fez caridade”, nem quantas vezes tratou a pessoa melhor “por culpa”. Te pergunto quantas vezes você conversou olhando nos olhos sobre a vida, filhos, sonhos, música, etc. Eu sei que o preconceito inverso também existe. Por isso parece que, no Brasil, somos quase divididos em castas ou etnias diferentes. E conflitos têm 3 vezes mais chances de estourar onde existe desigualdade entre diferentes etnias, religiões ou grupos regionais. Pra piorar, como já discutimos aqui no Glück, vivemos uma centenária cultura de violência.

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Quando fui aprovado no Curso Abril de Jornalismo e comecei a trabalhar na maior editora de revistas da América Latina, passei a conviver com a elite de São Paulo, não só no trabalho, mas em dezenas de reuniões com agências de publicidade, anunciantes, distribuidores, etc. Gente que falava inglês fluente, que já tinha mochilado pela Europa e que comia nos melhores restaurantes indicados pela Vejinha. Alguns eram tão legais quando os office boys que tocavam nos festivais de punk e hip hop comigo. Outros eram tão desonestos quanto os garotos envolvidos com assaltos e tráfico que eu conheci. Todos eram pessoas com qualidades e defeitos,  o que desmistificava um pouco meu preconceito adolescente contra os “boys”. Na minha vida conheci pobres que roubavam violentamente pouco e ricos que roubavam pacificamente muito. Não defendo nenhum dos dois. Não idealizo a marginalidade e valorizo a honestidade. Mas ainda acho mais fácil entender um vizinho órfão de pai que sustentava a mãe e a irmã traficando crack, do que um executivo que ganha mais de R$ 30 mil reais e bola esquemas para trazer dinheiro público para sua empresa privada burlando leis e regras. Quando eu morava num bairro simples e andava com pessoas que o IBGE classifica como pardos, a gente tinha medo de tomar geral da polícia, de apanhar a toa, de uma arma engatilhada apontada para sua cabeça disparar por acidente. Quando mudei para um “bairro bom” e comecei a andar de táxi com pessoas de sobrenome belga e alemão, eu passei a ter medo de trombadinhas, seqüestradores e ladrões. Repito, não estou “defendendo bandidos”. Tenho horror à violência e sei que se um assaltante me ver na rua, hoje, ele vai me julgar apenas “um playboy barbudo” que vive “da ponte pra lá”. A empatia dele por mim vai ser tão nula quanto a que sente o justiceiro do bairro pelo garoto que pede dinheiro no semáforo. Não existe bandeira branca na guerra social em que nos metemos.

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Quando citei o exemplo da minha infância no começo do texto, não quis me colocar numa posição de esforço ou superioridade. Eu nunca me esforcei para conviver com pessoas pobres ou ricas. Não larguei tudo para viver na pobreza como fizeram Eduardo Marinho, São Francisco de Assis ou Sidarta.  Eu não sei como seria minha vida se eu tivesse sido criado num bairro rico ou se tivesse estudado a vida toda em uma escola pública. Provavelmente, eu teria uma visão unilateral da vida. Ou, então, seria um cara de classe-média que idealiza a marginalidade, como uma forma de “compensação Robin Hood”. Mas, se o acaso me colocou nesse lugar, acho que posso compartilhar o que vi e vivi com quem quiser ler minhas impressões. Eu não consigo achar que a pessoa é ruim ou desonesta porque nasceu no bairro X ou Y. Não consigo achar normal as pessoas chamarem de “baiano” quem acham “brega” (meu avô é baiano, pô!) e acho bizarro quando alguém solta um “é impressionante como minha empregada é inteligente”. E, ao mesmo tempo, eu não consigo endeusar um dos dois lados. Alguns amigos de esquerda que me conheceram já distante da minha infância, insistem em dizer que “se eu fosse pobre” eu não escreveria sobre um tema tão pouco “engajado” como a felicidade. Que eu deveria agir ou me comportar de um modo específico, pensando nos “pobres”. Que isso ou aquilo é coisa de gente “mimada” para quem os pais “pagaram tudo na vida”. Como se os pobres todos fossem uma única massa uniforme e igual a qual eles aprenderem a temer numa cena de “Cidade de Deus” ou idolatrar numa letra do Chico. Esquecem-se de enxergar o ser humano atrás do estereótipo. O irônico é que se eu ainda estivesse no meu bairro, lá na minha cidade de 60 mil habitantes, tocando Ratos de Porão e ouvindo Racionais, essas mesmas pessoas não iriam conversar comigo, não iriam ler meus blogs e não iriam me dar sermão no barzinho da Vila Madalena, enquanto tomamos cerveja Original, porque eu não teria dinheiro para estar ali e porque, provavelmente, eles iriam desviar de mim  na  rua quando me vissem, como um primo mais rico fez quando eu tinha 16 anos e estava com meus amigos “da quebrada”. Ou como quando um colega com mais dinheiro nos expulsou de uma festa na casa dele porque um cd “tinha sumido”.

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Generalizações são burras.

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Numa palestra sensacional, o escritor e estudioso Richard Wilkinson prova com dados que o que mais faz a diferença entre a qualidade de vida nos países ricos não  é quem tem o maior PIB, mas quem tem melhores índices de distribuição de renda. Sociedades ricas com menor desigualdade (como Japão ou Noruega)  têm menos doenças mentais, menos pessoas presas e menor criminalidade que os países ricos mais desiguais (como os Estados Unidos). É interessante que países com maior desigualdade costumam ter penas mais cruéis e até mais tendência a pena de morte. Como nesses países quem faz e executa as leis (geralmente os ricos) não tem empatia por quem é condenado (geralmente os mais pobres) fica mais fácil jogá-los por anos numa prisão ou matá-los por não enxergá-los como “seres-humanos”. Vale lembrar que países com menores índices de desigualdade (como a Suécia) têm tido que desativar cadeias por falta de prisioneiros. Ele acrescenta, inclusive, que o “american dream” – que prega que quem se esforça mais pode subir de vida – é mais fácil de ser realizado em democracias igualitárias como a Dinamarca do que nos próprios EUA. Em países como os Estados Unidos ter um pai rico conta mais do que o “esforço próprio”.

Vale assistir a palestra completa de Wilkinson para mais dados sobre desigualdade.

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O Brasil tem medo da violência cotidiana e seu medo alimenta mais violência. Os jornais sensacionalistas, os comentários de internet, os colunistas trancados em suas confortáveis salas pedem mais armas, mais carros blindados, mais polícia, mais cadeias. Mães de família inocentes são arrastadas por carros na rua, moleques são criados sendo chamados de macacos, nordestinas são “cabeças de maçã boas pra comer, mas que não dá pra andar de mão dada no shopping” (Sim, eu já ouvi isso quando fui ao Rio de Janeiro pela primeira vez). E, claro, playboy é tudo “mimado, leite com pêra e fútil”. Alimentar ódio gera ódio. Precisamos diminuir as pontes do Brasil, precisamos de mais diálogo, de mais educação, de oportunidades justas para quem está do lado mais pobre da sociedade. Precisamos conseguir olhar o outro nos olhos. Um “mano” e um “playboy” tem que entender que são pessoas, são brasileiros e os dois têm os mesmos direitos e deveres. Nenhum dos dois têm que ser assaltado, ser morto, ser espancado pela polícia, ser humilhado pelo patrão ou sofrer  qualquer tipo de preconceito. E quando uma mulher como a Cláudia for assassinada em um tiroteio na favela e arrastada por um carro de polícia, nós não podemos achar que isso é normal apenas porque ela é negra e favelada. Temos que ficar tão revoltados quanto quando uma dentista foi queimada por bandidos. É preciso conseguir enxergar o ser humano onde só se enxerga o “pobre”.

A periferia não é um grande jogo de “Doom” , um episódio de “Walking Dead”, onde você pode praticar tiro ao alvo em zumbis.

Olhe para a ilustração. Você consegue ver o ser humano assassinado atrás da estatística?

Olhe para a ilustração. Você consegue ver o ser humano assassinado atrás da estatística? Ilustração da Laura Athayde

Enquanto os porteiros continuarem não sendo olhados nos olhos, enquanto a mulher negra for “gostosa, mas só pra comer”, enquanto o estilo de se vestir condenar o moleque à morte, enquanto militantes estudantis continuarem idealizando “o pobre ideal” sem conhecer as pessoas de carne e osso, enquanto a classe média for vista apenas como “playboy forgado de brinco, o trouxa, roubado dentro do carro na Avenida Rebouças“, eu aposto com você que o Brasil vai continuar sendo um lugar violento onde você sairá de noite e poderá não voltar. É importante lembrar que muitas vezes a sua felicidade e segurança depende de que as pessoas à sua volta também estejam felizes, seguras e tenham condições decentes de vida. O respeitado cientista Steven Pinker fez uma palestra muito famosa no TED em que mostra como a violência no mundo vem diminuindo desde o surgimento do homem até os dias de hoje. Um dos principais motivos que Pinker aponta para essa redução de violência é a empatia que se tem criado entre os seres humanos ao longo dos anos, que passam a ver o outro não como uma sub-raça possível de ser exterminada, escravizada ou usada, mas como um igual.

Uma extensão da nossa família.

As ilustrações desse post foram feitas para o blog Think Olga pela Luisa Lima , Cecilia Silveira e a Laura Athayde em homenagem à Cláudia Silva Ferreira,  assassinada no Rio de Janeiro e arrastada por uma viatura de polícia militar. Elas fazem parte do lindo projeto “100 vezes Cláudia” idealizado pela jornalista Juliana Faria que procura enxergar a Cláudia com a dignidade que um ser humano merece.

Leia também:
– A História do Ódio no Brasil
-O dia em que descobri que era preconceituoso
-Como ter um corpo perfeito para o verão?

Quer argumentos mais técnicos pra todas essas impressões? A Folha publicou um ótimo texto sobre os malefícios da desigualdade social escrito por um Nobel da Economia. Leia aqui!

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