Nós ainda acreditamos em tudo que vemos no Instagram?

Por Priscila Bellini

Se eu tivesse de responder à pergunta, uma parte de mim diria que não. Racionalmente, eu consigo dizer que nem todas aquelas postagens me parecem reais ou espontâneas. E você, que está lendo este texto, também deve sacar. Só que basta clicar na aba das sugestões, para explorar novos perfis e fotos que podem nos interessar que o cenário muda. Conscientes ou não, presenciamos uma avalanche de perfis daquelas pessoas que têm a vida perfeita — ou que, ao menos, aparentam ter. As proporções perfeitas, o corpo para o verão, o café da manhã sem um carboidratozinho, o sorriso insistente. Quase uma vida de novela.

Por isso, quando a australiana Essena O’Neil, que já tinha uma legião de fãs em seus posts no Instagram, resolveu abandonar a rede social, houve quem ficasse surpreso. Ela também se livrou das contas do Tumblr, do Youtube e do Snapchat. A proposta de Essena, que deletou a maioria dos próprios posts e editou os restantes, era deixar evidente a verdade por trás daqueles perfis. Em uma das legendas, a modelo revela que tirou uma centena de fotos até encontrar uma em que gostasse do aspecto da sua barriga. Em outra, diz que se esforçou para mostrar o “thigh gap”, o espaço entre as coxas.

Assim como Essena, estou certa de que muitos dos perfis que pipocam na minha aba de sugestões encara uma vida nada glamourosa. Mas nós conseguimos reconhecer isso a cada clique e a cada like nas redes sociais? Por trás das fotos sorrindo está um culto às imagens impecáveis, a padrões irreais de beleza e a uma ideia de felicidade que não conseguimos alcançar nunca.

E não é só Essena e os incontáveis exemplos (com incontáveis seguidores) que seguem à risca essa ideia. Pensando bem, é provável que uma parte das fotos que publicamos por aí estejam de acordo, para que pareçamos mais bonitos, mais felizes, mais perfeitos.

Se fosse para mudar a legenda das suas fotos e torná-las mais reais, quais mudanças você faria?

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