O que você quer mudar na sua vida no ano que vem?

Neil Gaiman, escritor best-seller e pai do clássico quadrinho “Sandman”, foi convidado para fazer um inspirador discurso aos formandos da The University of the Arts. Em sua fala sobre trabalho e criatividade, Gaiman revelou nunca ter planejado sua carreira, nunca ter tido um plano para ela. Ele, no máximo, elaborou uma lista, aos 15 anos, com os trabalhos que gostaria de fazer ao longo da vida: escrever um livro infantil, escrever um quadrinho, roteirizar um episódio da série “Doctor Who”, etc. A cada meta cumprida, ele passava para o próximo item da lista. Simples assim.

Discurso feito por Neil Gaiman legendado em português

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Não acredito que a vida possa ser reduzida a uma grande lista de prioridades. Um das coisas que torna a nossa existência única é o fato de ela estar cheia de surpresas incontroláveis. Ninguém pode gerenciar tudo que passa ao seu redor. Ter consciência disso parece ser uma das chaves para ser feliz. (Pelo menos é o que indica este estudo americano com 101 velhinhos). No entanto, uma lista de objetivos pode nos ajudar a priorizar nossas metas, focar nossos esforços e diminuir nossas ansiedades. Exemplos: Por que nos sentimos frustrados ao ver nosso colega de trabalho comprando um carrão novo, se nossa meta era usar o dinheiro acumulado para viajar duas vezes ao ano? Ou por que nos sentimos diminuídos com a promoção do nosso amigo de Facebook, se nosso foco era organizar o casamento dos sonhos com o amor de nossas vidas? Quando nos conhecemos mais a fundo, enxergamos com mais clareza o caminho que queremos trilhar. Ou como diz um ditado surrupiado do documentário “Eu Maior”: “Nenhum vento é favorável ao marinheiro que não sabe para onde vai”.

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Listas de prioridades rendem tanto que o best-seller “Happiness Project”, da Gretchen Rubin, é composto basicamente por uma grande lista para a vida ou “bucket list”, como os americanos costumam chamar. Nele, sua autora lista dezena de ações cotidianas que gostaria de cumprir para ter uma vida mais feliz. Entram aí pequenas mudanças cotidianas como brigar menos com o marido ou mudar as formas de organizar a casa. Gretchen já avisa no começo do livro que não tem a intenção de sair por aí numa grande aventura e que quer fazer seu projeto em cima de uma vida que já considera boa. Para quem não acha que a felicidade está numa mochila ou num pedido de demissão, pode ser uma leitura válida, apesar de o livro ser um pouco superficial.

Nunca fui muito fã de dinâmicas de trabalho, ginástica laboral ou “reciclagens” que as empresas oferecem. Sempre enxerguei essas “oportunidades” com cinismo e reticências. Mas foi depois de um curso sobre gestão de pessoas que resolvi elaborar minha “grande lista de prioridades para a vida”. Como um personagem dos livros de Nick Hornby, sempre me diverti sozinho elaborando listas. Dos “maiores baixistas do mundo” até as “bandas que eu sou fã e ninguém gosta”. Achei que seria divertido fazer uma com os sonhos da minha vida. Inclui desde coisas mais imediatas até grandes metas (casar, ter filhos) e sonhos praticamente impossíveis na época como morar em outro país ou publicar um livro de ficção. A partir daí comecei a pensar no que poderia fazer para atingi-las. Percebi, por exemplo, que não conseguiria ser feliz sem superar meu pânico de aviões (história que rende outro post nesse site), já que não minha lista de prioridades constavam 3 ou 4 viagens longas. Valeria a penar arriscar voar (mesmo achando que o avião poderia cair) ou era melhor me esconder na “segurança” da rotina e nunca realizar aqueles sonhos? Seria possível encontrar a felicidade sem risco ou esforço?

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No final do ano eu sempre penso nas coisas que eu queria para o ano seguinte. Coisas que eu quero melhorar, mudar e realizar. “Me dedicar mais aos amigos, ser mais calmo e conhecer a Bahia”, por exemplo. Pode ser que as coisas mudem no meio do caminho. Pode ser que por mais esforço que eu bote, as coisas não andem, mas é um ritual que me ajuda a organizar os pensamentos, concentrar as energias e dimensionar as frustrações.

O resto é estar aberto para que o acaso jogue todos nossos planos e metas para o ar.

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E aí, já fez sua listinha de ano novo?

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Basic CMYK

As ilustrações deste post são do artista Harry Campbell.

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