Pregando amor em vez de ódio

Por Priscila Bellini

Os atentados feitos pelo Daesh (acrônimo árabe para Estado Islâmico) em Paris, na última semana, desencadearam uma onda de comoção pelo mundo. Porém, além dessa rede de solidariedade com aqueles que perderam familiares e amigos nos ataques, é claro que apareceram mensagens de ódio. Afinal, como a autoria recaiu sobre o grupo que se autointitula Estado Islâmico, muita gente culpou os muçulmanos pelo ocorrido. E eles responderam.

Agora, Antoine Leiris, o marido de uma das vítimas, Hélène Muyal, resolveu se pronunciar sobre o assunto. Apesar da dor de perder a esposa e de saber que está sozinho com o filho, Antoine, deixou uma mensagem muito clara: os terroristas não terão seu ódio. Assista ao vídeo com o depoimento dele:

 

“Vocês não terão o meu ódio,

Na noite de sexta-feira vocês roubaram a vida de um ser excepcional, o amor da minha vida, a mãe do meu filho, mas vocês não terão o meu ódio. Não sei quem são e não quero saber, vocês são almas mortas. Se esse Deus pelo qual vocês matam cegamente nos fez à Sua imagem, cada bala no corpo da minha mulher foi uma ferida no Seu coração.

Por isso eu não darei a vocês o prazer de odiá-los. Vocês procuraram isso, mas responder ao ódio com a cólera seria ceder à mesma ignorância que fez vocês serem quem são. Querem que eu tenha medo, que olhe para os meus conterrâneos com um olhar desconfiado, que sacrifique a minha liberdade pela segurança. Perderam. Continuamos a viver da mesma maneira.

Eu a vi esta manhã. Finalmente, depois de noites e dias de espera. Estava ainda tão bela como quando partiu na noite de sexta-feira, tão bela como quando me apaixonei perdidamente por ela há mais de 12 anos. Claro que estou devastado pela dor, concedo a vocês essa pequena vitória, mas será por pouco tempo. Sei que ela nos acompanhará todos os dias e que vamos nos reencontrar nesse paraíso das almas livres ao qual vocês nunca terão acesso.

Somos dois, eu e o meu filho, mas somos mais fortes do que todos os exércitos do mundo. Não tenho mais tempo para dar a vocês, quero me juntar a Melvil, que acorda da sua soneca da tarde. Tem só 17 meses, e vai comer como todos os dias, depois vamos brincar como fazemos todos os dias e durante toda a sua vida este rapaz vai afrontá-los sendo feliz e livre. Porque não, vocês nunca terão o seu ódio.”

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