Preste atenção! – como a meditação deixa você mais feliz

Por Karin Hueck

A primeira vez que meditei, eu estava há milhares de quilômetros de casa, dando as mãos para uma amiga e um senhorzinho que eu não conhecia e sendo guiada rumo à iluminação por uma completa estranha numa língua que não era a minha. Tinha tudo para ser um fracasso. Eu havia tomado chuva o dia inteiro, o trabalho tinha dado errado, eu estava há uma semana comendo uns negócios estranhos à base de milho e estava mais de uma hora atrasada para um compromisso. E ainda assim mudou minha vida. Desliguei completamente do mundo ao meu redor. Comecei a sentir frio nos pés e calor nas mãos. Enxerguei umas luzes coloridas dentro dos olhos fechados. Pela primeira vez, foquei no aqui, no agora e em mim, em vez de deixar a mente viajar. Naquele círculo formado por estranhos, meditamos por quase duas horas, e me esqueci que estava na Colômbia, com um texto para entregar e atrasada para um jantar. Achei que tinha encontrado o fim do arco-íris

Nos últimos anos, a meditação ganhou o status de elixir mágico contra Todo o Mal do Planeta. Se levarmos a sérios as descobertas científicas, poucas coisas são tão benéficas para o ser humano quanto a meditação. Ela serve para atenuar o stress, a ansiedade e a depressão; para melhorar a memória, o auto-controle e a criatividade; e até para aumentar a compaixão entre pessoas. Praticada há milênios por budistas e iogues, há diversas maneiras de se aperfeiçoar na arte. A mais conhecida – e testada em laboratório por sua eficácia – é a meditação de atenção plena. Aquele negócio de tentar focar a mente em algo fixo (pode ser uma imagem, uma palavra, um mantra ou a sua respiracão), ignorando o fluxo natural de consciência. É a que eu fiz naquele dia na Colômbia. E é apenas das coisas mais difíceis de serem conquistadas pelo cérebro humano. Duvida? Então experimente focar no ar que entra e sai pelas suas narinas sem dar bola para aquela dor nas costas que você está sentindo por que tentou alcançar a posição de lótus ou para aquele cheiro de bife acebolado que está vindo do apartamento da vizinha ou para as contas do mês seguinte que você ainda não sabe como vai pagar. Difícil? Pois é.

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Mas não desista ainda. Há diversas formas de se beneficiar da atenção plena – ou mindfulness, em palavra chique gringa -, e nem todas exigem tanto sofrimento. A Universidade Berkeley uma das melhores dos EUA, tem um centro de estudos que se dedica a fazer pesquisas para uma vida melhor e cheia de propósito. Eles investigam a felicidade, a gratidão, a compaixão, a empatia e qualquer outro comportamento que possa ajudar as pessoas a alcançar o “bem maior”, em suas palavras. Para eles, o mindfulness faz parte dessas coisas mágicas que podem nos tornar mais felizes: de acordo com um estudo, as pessoas relatam estar com a mente distante e distraída em 47% do tempo – e, durante esse período, também descrevem estar menos felizes. Ou seja, quando estamos atentos e conscientes do que estamos fazendo a cada minuto, ficamos também mais satisfeitos. (Um alô para você que está lendo este texto com a cabeça distante.) Esse mesmo pessoal de Berkeley tem uma série de dicas para você aumentar a sua atenção em pequenas atitudes banais, como caminhar, pensar no seu corpo ou fazer esse teste. A ideia básica é que você não faça nada – nadinha mesmo – sem dedicar a sua consciência total. Outro preceito importante da atenção plena é ser mais generoso consigo mesmo: em vez de punir ou ignorar pensamentos negativos, é importante entender que não há coisas “erradas” para se pensar, apenas sentimentos genuínos que merecem ser aceitos.

São essas as coisas das quais tento me lembrar quando quero meditar. Confesso que, depois dessa fortuita primeira vez, o estado de atençãoplena foi muito mais difícil de ser alcançado. Fiquei diversos dias de olhos fechados tentando alcançar o Nirvana antes de perceber que estava apenas decidindo o que comeria de almoço. Descobri que os manuais de meditação estavam certos: é preciso investir tempo e disciplina no negócio. De vez em quando, consigo chegar à sensação de bem-estar profundo e total alienação do mundo. Na maioria das vezes, não. Mas sinto que vale a pena continuar tentando.

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