Réquiem para uma investigação sobre a felicidade – parte 1 (coisas que aprendi quando resolvi buscar sentido para existência)

Antes de mais nada, eu queria fazer duas perguntas simples: quem, aqui, se considera uma pessoa feliz? E quem está se sentindo feliz no momento? Agora, pensem por um minuto sobre qual foi o pior momento da vida de vocês. Eu acredito que o meu tenha sido uma das minhas crises de pânico, em 2008, quando eu não conseguia ver muita saída ou opção para meus problemas e a existência andava triste e sem graça. Acho importante, quando falamos de felicidade, lembrarmos que não existe fórmula mágica para a alegria e que escapar da dor é impossível, mas o sofrimento, por mais esquisito que isso possa parecer, é controlável. Ele é, quase, uma opção.

O final
Agora, vamos começar nossa conversa e comecemos pelo final:
P: O que é a felicidade?
R: Felicidade é o caminho, não o ponto final

(eu também poderia dar uma resposta química dizendo que a felicidade é uma sensação que depende da dopamina, um neurotransmissor ligado às sensações de prazer e felicidade)

A gente nunca alcança a felicidade e, ponto, “somos felizes pra sempre”. Sim, a insatisfação faz parte da existência humana. Para chegar a essa conclusão, que pode parecer óbvia, eu passei mais de dois anos estudando a felicidade.

Glück Project
Voltemos para o começo: 2012 tinha sido um ano incrível, desses de pregar na parede pra admirar nos dias difíceis. Meu Facebook parecia transmitir aos conhecidos uma vida de novela, mas ainda assim, eu não estava plenamente feliz. Por quê? Havia toda uma existência cheia de angústias que não rendia likes nas redes sociais. Para refletir sobre isso passei mais de dois anos investigando a felicidade em uma grande reportagem que vocês acompanharam aqui. Através dela entrevistamos médicos, psicólogos, artistas, religiosos e pessoas com histórias de vida incríveis. Também lemos muitos livros sobre o tema, pesquisas e assistimos palestras. O resumo de tudo isso, foi o que eu trouxe para vocês hoje.
Conselhos são autobiográficos

Como diz o Austin do livro “Roube como um artista”, esses insights aqui são coisas que eu gostaria que alguém tivesse me dito alguns anos atrás nas minhas crises de ansiedade ou momentos sombrios. Antes de partirmos para a prática, vale lembrar que ninguém é alegre o tempo inteiro, como cantava Wander Wildner. Eu não sou um ursinho carinhoso. Ninguém é. Tive momentos bem ruins lidando com perdas ou com fracassos. Minha pesquisa, no entanto, serviu para aliviar, um pouco, esses momentos sombrios.

O autoconhecimento parece uma unanimidade quando se fala em felicidade.  Tanto no pensamento oriental, quanto no ocidental, ele aparece em livros filosóficos escritos séculos antes do nascimento de Cristo:

Vamos para um exemplo pessoal: quem sou eu e por que eu quero investigar a felicidade?

Quando lançamos o primeiro post do Glück, em 2013, ele foi lido mais de 150 mil vezes em poucos dias. O site bombou e muitos jornais nos entrevistaram. Quando eles perguntavam se éramos felizes antes de realizar nossa pesquisa, dizíamos que sim – mas isso era parcialmente verdade.  Eu passei pelo menos 6 anos da minha vida sofrendo de síndrome de pânico. Pessoas próximas a mim sofreram de depressão. Na vida merda acontece, enfim,  a infelicidade foi um dos motores que me fez buscar a felicidade.  Isso casa com o que nos ensina Freud, no livro “O Mal Estar da Civilização”: a felicidade seria a busca pelo prazer e a tentativa de evitar o desprazer. Quando eu já estava na Alemanha, há quase um ano, um amigo, com quem sempre tive discussões teóricas, me mandou a seguinte frase, quando conversávamos sobre o Glück:
Na hora eu fiquei ofendido achando que ele estava fazendo uma crítica agressiva ao nosso projeto. Mas essa reação foi uma falha em meu autoconhecimento. O que me ofendeu foi perceber que aquela frase conversava diretamente com minha história. É muito comum, quando estamos em sofrimento, que a gente procure achar um bode expiatório para nossa situação. É muito mais fácil, sempre, culpar o outro pelo nosso sofrimento.

“E como eu posso buscar  essa tal  “autoconhecimento”, ET Bilu?” Bom, a humanidade desenvolveu algumas ferramentas nos últimos milênios:
1) Terapia
2) Meditação
3) Yoga
4) Leitura

Eu recomendo mais uma, um exercício prático: crie sua “bucket list”, uma lista de 10, 15, 20 metas de vida. Essa aqui foi a lista que fiz por volta de 2013:

Depois de feita sua bucket list, anote tudo que você fez nos últimos 3 dias. Investigue como você tem gastado seu tempo. Se as coisas que você faz no dia a dia, não tem nada a ver com suas metas, algo está errado.

-> Continua na semana que vem!

Leia também:
+Vale a pena largar tudo em busca da felicidade?
+ Pra ser feliz, pense na morte.

Para encerrar o Glück, vamos postar nosso “Réquiem para uma investigação sobre a felicidade” em 3 posts de encerramento. Este é o primeiro deles. Todas as colagens são do designer Daniel Apolinario.