Slow game faz a gente refletir sobre a ansiedade dos tempos modernos

Por Priscila Bellini

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Eu nunca fui muito adepta dos videogames, mas admito que entendo um pouquinho da lógica da coisa. Você comanda um personagem com ajuda de um controle, executa vários movimentos e eles logo geram um resultado — quebrar a cara do oponente, apanhar um item importante, e por aí vai. É uma consequência rápida, ou até imediata.

Assim, todas as ações são, em pouco tempo, recompensadas de algum jeito. Você soma pontos, atinge uma meta. Agora, quando pensamos nos slow games, esse método muda por completo. E é essa a base usada pelo designer novaiorquino Ishac Bertran em seu cubo, que você viu ali em cima.

Para ir na contramão da mania de gratificação instantânea — ou seja, de achar que é possível colher frutos de algo rapidamente e a toda hora –, o Bertran desenhou um videogame que só permite um movimento ao dia. Por outro lado, o projeto foca na memória, na observação, e claro, na paciência. Ah, e o efeito da sua ação aparece apenas no dia seguinte mesmo. Dá uma olhada no vídeo do projeto:

Mesmo se você não pretende adquirir um objeto desses e testar a paciência, vale refletir um pouquinho sobre ele. Já pensou em quantas atitudes a gente toma pensando em um resultado imediato?

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