Um livro, um filho, uma árvore

por Karin Hueck

Vou dar à luz nos próximos dias e ouvi de muita gente com filhos que os livros acabaram esquecidos nos primeiros meses de bebê. Como não consigo imaginar minha vida sem eles (os livros, no caso; sem filhos tenho vivido até agora), tratei de ler o maior número possível de páginas em 2015 – quase todas nas madrugadas insones causadas pelo barrigão. Vi muitas auroras surgirem ao lado do meu Kindle no ano passado.

Dos 61 livros que li, 26 foram escritos por mulheres. Ainda não são os 50% ideais, mas vou chegar lá. Pelo menos posso dizer que mais da metade dos livros que li não foram escritos por homens brancos ocidentais – o que me garantiu viagens por terras mais distantes e mundos interiores mais surpreendentes do que estava acostumada. Achei bom.

De resto, fui guiada pelo prazer. Tive meus guilty pleasures (me liga, Karl Ove; um beijo, Elena Ferrante) e escolhi uns clássicos, mas li bastante para o trabalho também. Espero que a lembrança de todos esses sejam suficientes para me entreter durante os meses em que eu estiver ocupada entretendo um certo serzinho, e esperando a aurora surgir – dessa vez do lado dele.

FICÇÃO

♥ ♥ ♥ ♥ ♥

“O eterno marido”, Fiódor Dostoiévski
“Ódio, amizade, namoro, amor, casamento”, Alice Munro
“Cem anos de solidão”, Gabriel Garcia Márquez
“My struggle – Book 1”, Karl Ove Knausgaard
“My struggle – Book 4”, Karl Ove Knausgaard

♥ ♥ ♥ ♥

“O assassinato e outras histórias”, Anton Tchekov
“Purity”, Jonathan Frazen
“Um útero é do tamanho de um punho”, Angélica Freitas
“The first bad man”, Miranda July
“Desonra”, John Maxwell Coetzee
“My struggle – Book 2”, Karl Ove Knausgaard
“A confissão da leoa”, Mia Couto
“Meus documentos”, Alejandro Zambra
“Diário da queda”, Michel Laub
“Como água para chocolate”, Laura Esquivel
“Never let me go”, Kazuo Ishiguro
“Where’d you go, Bernadette”, Maria Semple
“Resta um”, Isabela Noronha
“The story of a new name”, Elena Ferrante
“Those who leave and those who stay”, Elena Ferrante
“The story of the lost child”, Elena Ferrante

♥ ♥ ♥

“Adeus às armas”, Ernest Hemingway
“A legião estrangeira”, Clarice Lispector (mas o conto-título é ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥)
“O som e a fúria”, William Faulkner
“Sputnik Sweetheart”, Haruki Murakami
“Herr und Hund”, Thomas Mann (“Um homem e seu cão”)
“Nove noites”, Bernardo Carvalho
“The seagull”, Anton Tchekov
“Euphoria”, Lily King
“Submissão”, Michel Houllebecq
“My struggle – Book 3”, Karl Ove Knausgaard
“O gigante enterrado”, Kazuo Ishiguro
“O seminarista”, Rubem Fonseca
“We are all completely besides ourselves”, Karen Joy Fowler
“Um mais um”, Jojo Moyes
“O tigre branco”, Aravind Adiga
“My brilliant friend”, Elena Ferrante
“O natimorto”, Lourenço Mutarelli

♥ ♥

“O nosso reino”, Valter Hugo Mãe
“O irmão alemão”, Chico Buarque
“Dublinesca”, Enrique Vila-Matas
“Little Women”, Louisa May Alcott
“Life after life”, Kate Atkinson
“Iônitch”, Anton Tchekov
“Trigger warning”, Neil Gaiman

“A casa das belas adormecidas”, Yasunari Kawabata

 

NÃO-FICÇÃO

♥ ♥ ♥ ♥ ♥

“Um teto todo seu”, Virginia Woolf
“A sangue frio”, Truman Capote

♥ ♥ ♥ ♥

“Missoula”, Jon Krakauer

♥ ♥ ♥

“On fairy tales”, J.R.R. Tolkien
“Rape is rape”, Jody Raphael
“Notícias de um sequestro”, Gabriel Garcia Márquez

♥ ♥

“Bad feminist”, Roxane Gay

“A noite da arma”, David Carr

LIVROS DE MIGS

“Em carne viva”, Martha Lopes
“Quando me descobri negra”, Bianca Santana
“Presos que menstruam”, Nana Queiroz

LIVROS DE AUTORAS QUE EDITEI

“Os anões”, Veronica Stigger
“Desnorteio”, Paula Fábrio
“O livro proibido do sexo”, Marcia Kedouk
“Ciência maluca”, Carol Castro

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